quarta-feira, 3 de abril de 2019

Sobre reality shows e velhos vícios



É interessante ver a mudança de comportamento dos participantes de reality show ao longo dos anos. Principalmente no que diz respeito a comportamento de disputa em grupo e a relação com minorias sociais.

Os melhores exemplos hoje em dia têm sido (em esferas muito diferentes) Big Brother Brasil e RuPaul’s Drag Race. Apesar de terem objetivos e construções completamente diferentes, eles têm como um dos itens mais importantes a relação entre os participantes construída nos respectivos confinamentos. E é aí que mora a grande quebra de paradigma que as pessoas que comandam esses realities ainda não conseguiram entender (se bem que RuPaul têm aprendido melhor - pelo menos é o que se vê na TV, sem considerar os bastidores).

Indo por partes:
O BBB é um programa que existe há 18 anos e que, por muitos anos, teve sua disputa baseada na divisão da casa em grupos. Não necessariamente os grupos que o Boninho definiu previamente, mas o que se formavam por afinidade. Nesse caso, os que eram “vítimas” de um “complô” acabavam por durar mais, se valendo do estigma de perseguidos e da fúria que os grupos de “vilões” formados demonstravam cada vez que tentavam, semana a semana, derrubar essa ou aquelas pessoas. 
O elenco geralmente era formado por pessoas que vinham, invariavelmente, da mesma esfera social, com algumas diferenças regionais entre alguns deles. Por isso os excluídos eram dignos da defesa do público. Bambam era isolado pela casa por ser mais limitado, Dhomini era o matuto que desafiava a inteligência dos de fato inteligentes, Jean foi o primeiro homossexual assumido no programa (André do BBB1 não tocou no assunto e Cristiano do BBB4 não havia se assumido ainda na época), Alemão era o “macho alfa” que jogava luz na masculinidade tóxica competitiva do outro grupo. Dourado foi o primeiro que teve uma vitória por ter se sentido “incompreendido” e que já representava o que o público em geral sentia ao se ver confrontado por tantos personagens não-comuns em suas rotinas (basicamente Dicésar Dimmy e Serginho Orgastic).

Passados 8 anos da vitória do Dourado, a gente vê, talvez pela primeira vez, um grupo tão diverso. São 5 negros ao invés dos tradicionais 2 e todos os representantes de minorias sociais (chamados de Baile da Gaiola - apelido maravilhoso) têm, quase sempre, um discurso extremamente eloquente e claro, ao contrário do grupo “Villa Mix” que replica as mesmas falas aprendidas e que ainda não foram filtradas na vida real.
O problema é a dinâmica. Ninguém mais se expõe ou treta. Tá todo mundo afim de conviver junto, ainda que a formação de dois grupos por afinidade seja inevitável. E aí o que faz a direção? Isca o Tiago Leifert para que ele diga o que imagina-se que o Boninho diria só que com uma pilha bem desmedida, interferindo no jogo de uma forma que, não fosse a passividade e a falta de comprometimento dos participantes com a estratégia, poderia guiar resultados.

Sobre RuPaul’s Drag Race: no ar há 12 anos, o programa evoluiu demais inclusive na qualidade do que se apresenta. O mundo Drag evoluiu muito desde que o programa está no ar. E é aí que está o pulo do gato: a cultura Drag é formada por uma série de elementos (o filme “Paris is Burning” e o seriado “Pose” retratam a maioria deles). E um dos principais elementos é a capacidade de “gongar” umas às outras com uma rapidez que dá às drags uma linda ferina (chamado de “reading” e, quando tem uma conotação agressiva, “shade”). A origem disso é a sobrevivência como um gueto numa sociedade preconceituosa onde se precisa criar casca para continuar. Essa casca invariavelmente vira uma ferramenta de leveza através do humor e de proteção, como numa família onde só quem faz parte pode falar mal um do outro. É sabido que quando uma pessoa se apropria de um xingamento contra ela e transforma aquilo numa bandeira ou em parte da sua personalidade, os algozes vão ter que procurar outra forma de detonar o colega.

Mas, assim como no BBB, muitas drags que competem nas últimas edições eram crianças ou ainda não dominavam a arte Drag quando programa começou. E muitas não eram nem nascidas quando a cultura dos “bailes” e do “shade” existia. Muitas delas já nasceram em lares onde a dificuldade de aceitação da família em relação à sua sexualidade e profissão já era bem menor ou quase inexistente. Muitas delas viraram adolescentes numa sociedade muito mais tolerante. E aí a “maldade” no tratamento que uma dá a outra nos bastidores deixou de ser aceita tanto dentro do programa quanto pra quem assiste. Ginger Minj perdeu a temporada 9 pra Violet Chatki, entre outras coisas, porque a sua cultura de “rainha de concursos” não a deixava valorizar o frescor de uma Drag nova que rompia com o que ela conhecia e que, além de tudo, achava nociva a cultura do shade dentro de um grupo ainda muitas vezes excluído socialmente.

A grande questão é o destino de programas como esses, suas capacidades de evoluir com a sociedade e se reinventarem. Mas isso só é possível olhando pra dentro. Na Reunion da temporada 10, The Vixen foi extremamente questionada a respeito do seu comportamento agressivo. Ela foi defendida por quem entende de onde ela veio (Asia O’Hara) e compreendida porém criticada por quem também entende (RuPaul herself). Claro que, por ser um show de talentos, o conteúdo é o que faz o programa continuar sendo relevante - alinhado à forma até que rápida que se adequa às discussões que ele mesmo cria, principalmente no que diz respeito à representatividade dentro da comunidade Drag, sua intersecção com a comunidade trans, as discussões de gênero e as desconstruções sociais.
Exatamente o que falta ao BBB: entender que, apesar das construções sociais, as pessoas estão mudando e, mais do que isso, as suas formas de se expressar e se relacionar estão mudando. Num momento em que o chorume nas redes sociais escorre litros e o ódio gratuito está cada vez mais explícito, observar essa forma de convivência entre pessoas num confinamento pode trazer mais beleza do que “chatice” a um reality show. A não ser que assuma-se que o propósito dele é simplesmente ser um circo dos horrores no mundo cão. Aí melhor cancelar mesmo.

PS1: RuPaul anunciou que a próxima temporada é a última. Entendo.
PS2: Rodrigo eliminado é inconcebível. E a prova de que a gente ainda tem muito o que evoluir enquanto sociedade.
PS3: Tiago Leifert não entendeu nada. Que pena.

PS4: Gabriela campeã!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

MasterChefBR: #sortenasorte


Beleza, faz 1 mês que começou o MasterChef e agora eu já saquei quem é quem, já formei opinião sobre tudo mundo e já posso comentar (com BBB é mais fácil, uma vez que ninguém é talentoso mesmo hahahahaha).

Eu só sei cozinhar macarrão (mas não manjo nada de ponto ‘al dente’), miojo (variação de macarrão de universitário, mas coloco o pozinho depois de secar tudo e fica praticamente uma maçaroca de glutamato monossódico) e umas combinações sobremesísticas que todo bom gordo inventa em madrugadas lariquentas (tipo creme de leite com Nescau). Mas sou viciado em reality show. Levando isso em conta, não sei por que demorei tanto pra me viciar em reality shows de comida!

Mas antes tarde do que nunca. E tudo isso graças ao Raul, meu amigo, que resolveu participar (melhor já nepotizar de cara porque eu sou tendencioso mesmo e foda-se). Mas como esse é um blog de TV (COF!) sério, vamos à análise:

Pra começar, todo mundo deve ter falado sobre isso na temporada passada, mas eu não assisti, então pra mim é novidade: acho divertido ver a Ana Paula Padrão numa postura tão despojada e às vezes sorrindo quase tanto quanto à Sandra Annenberg. Só precisa dar uma segurada na emoção na vestimenta, tipo naquele vestido de Romero Britto do episódio de estréia.

Em relação aos jurados:
a) o Jacquin (que não gosta que o chamem de... vejamos... “ Jacquin “ – WHO ARE YOU!?) usa o fato de ser bem bom no que faz pra humilhar coleguinha. Escroto.
b) Namore alguém que te olhe como a Paola te olha. Em qualquer circunstância.
c) Olaaaaaar, Fogaça! (insira sua piada com mandioca aqui)

Sobre os participantes, eu demorei pra formar opinião porque nem todo mundo ali era memorável pra mim (tipo a Minnie Ranheta que saiu na primeira eliminação depois de formados os 18) até a última prova da FAB. Apesar das saudades eternas que vou sentir da Cássia, já garrei amor eterno na Izabel (quero assistir comédia romântica junto), no Gustavinho (quero casar), na Aritana (sim, na Aritana, uai! Cara de parceira de buteco das boas!) e no Cristiano (que me faz ter vontade de chorar toda vez que enche o olho de lágrima). A Jiang dá vontade de levar pra casa, mas tô achando que ela precisa dar umas berradas. O Marcos tá pagando de galã, diferente da Sabrina que é esforçada, apesar de gata. Com o comandante Hamilton eu não consegui ter nenhuma relação a não ser fazer piada óbvia gritando “IBAGENS”, que ninguém agüentava mais (tanto que saiu ontem), e a Iranete tá sofrendo ali por falta de referência. Mas MasterChef, assim como nenhum reality show, é Porta da Esperança e ela já deu uma reagrupada e arrasou na prova de ontem. Força, Iranete!

Carla é dona de casa, mas sem o carisma da Iranete. Lucas é estranho. O Murilo é superestimado. O Fernando é bom pra porra e se deixar manda em todo mundo. Mas, meu preferido é obviamente o Raul. No começo todo mundo falou tanto que ele era o Mohamad dessa edição e eu fui até buscar os vídeos desse cara pra ter comparação. Além de não ser gato igual (desculpa, Raul, mas o ensaio dele pra TPM tá ó!), o Mahamad era moleque indisciplinado e respondão enquanto o Raul é mais adulto (não muito hehehe) e não respondão. Tá levando a sério a bagaça, ta distribuindo bordão nos bastidores e tá lá, todo estabanado, mostrando que paixão move a gente. E sem perder a melhor qualidade dele pra mim, que sou gordo: cozinhar pra quem gosta de comer rezando. Enfim, era impossível não ser um post tendencioso.

E ainda tem quem assista ao programa da Bela Gil... Nada contra, só que (COF!²)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

#Babilônia: Que bela ideia essa novela primaveril em pleeeeeno outono!


Hoje eu resolvi que não perco mais um capítulo dessa novela. Pode ser que isso seja só empolgação de momento, mas só agora eu entendi qual é a dessa Babilônia. É uma zona de novela que só com esse nome mesmo.

Começa assim: Carminha e Maria de Fátima, por um acaso cósmico incrível, eram amigas na adolescência. Amigas amiiiiigas não eram porque a gente sabe que Carminha ainda possuía sentimentos enquanto Fafinha era desprovida. Anos depois, quando se encontraram, Fafá ainda linda e glamurosa enquanto Carms carregava o estigma do lixão, a bela lançou um “NÃO ESTOU DISPOSTA” na cara de nossa coitadeza, sem se ligar que lidava com uma psicopata obcecada.

Carms não só ficou arrasada como estava de prontidão com uma Tek Pix pra filmar a herdeira dos Acioly dando uns pegas no pai de Bebel, seu motorista, que mostrou muito bem de quem sua filha herdou o fogo dos tempos de “Paraíso Tropical”. Como Fátima já tinha reaplicado um golpe no desmemoriado do Afonso pra se casar de novo com ele se fazendo de amiga da falecida Solange Duprat (sério, não mexeram nem no enredo), ela teve que arrumar um emprego pro pé-rapado do marido de Carmem Lúcia em Dubai, onde sua janela não vislumbrasse mais o Divino.

Anos se passaram, Carminha matou o marido no grito e o não-nascido neto no tapa só porque sua filha, a cantora do “Rebu”, era apegada num proletariado (fetiche, gente, quem nunca), e teve que voltar pro Brasil. Bateu na porta da “amiga” e conseguiu um emprego no escritório de advocacia de Bia Falcão, que a essa altura já tinha virado boa pessoa e ainda arrebatou o coração de tia Cellina, que nunca mais teve que se preocupar em trocar estofados.

Só que Maria Beatriz de Fátima, uma insaciável que tenta pedir música no Fantástico toda semana de tanto homem diferente que pega, resolveu ainda dar uma zuada extra na Carms, que andava mais seca do que quando era a Nazaré da primeira fase de “Senhora do Destino”. Fez o psicopata do Tarso Cadore seduzir a fofa e armou um flagra (outra vez) aomilhante.
(Importante pra ligação na trama: Tarso é irmão do Carneirinho que pega a Bebel, que por sua vez teve uma filha com o Laerte, que matou Maria de Fátima quando ela era Norma na outra novela e que, como se não bastasse ser tão insuportável, casou com a “Vem cá, te conheço?”, que é filha da Mamuska, que está há 3 novelas sem função definida.)

Ela só não contava que, depois de ter sofrido na mão de Nina, a sem pen-drive, Carmem Lúcia Inês faria um curso rápido de computação na DataByte e aprenderia a navegar na internet, descobrindo o famoso canal de vídeos XVideos You Tube e metendo lá o vídeo da mãe da Cléo dando uns catos no motorista! E, em menos de 15 minutos, Afonso já quebrou um iPad, a mãe da Bebel já desmaiou (de novo, é só o que ela faz) e o irmão de Bebel, que também pega a véia (porque todo mundo pega, é tipo o Zé Mayer), tá tendo chilique em público!

Ah, ainda tem o drama de Bia Falcão e tia Cellina que têm um filho que namora uma mina chatalhaça, filha de um deputado evangélico corrupto e que é amigo de um instrutor de slackline que pega todos os boys de Ipanema mas sofre bullying do filho do corno do Afonso, mas esse povo é muito pudico perto do fuá representado pela tradicional família brasileira.

Ou seja, nunca mais perco um capítulo!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

BBB15: Estamos de olho!



Primeira semana de BBB, primeiro paredão já me fazendo querer morrer de ódio da população que julga quem joga (4 Casas dos Artistas, 7 Fazendas, 1 Busão do Brasil – 1 minuto de silêncio -  e QUINZE Big Brothers depois e é a mesma lenga-lenga), mas como eu já tô atrasadalhaço com esse post, queria só comentar em uma palavra a abertura de “Senhora do Destino” onde quem tem profissão é retratado por ela e quem não tem parece participante do High School Musical: TENEBROSA. #SDDSHansDonner.

Agora aos participantes:
Tanta coisa levou a esse paredão, mas prefiro só julgar um por um agora, porque depois eu pego amor/ódio e fica mais difícil.

Os cabeças da bagaça:
Francieli: já amo. Das melhores jogadoras da história! Se sobreviver é capaz de sair de vítima ainda desse paredão. Eu quero que fique até o final e desestabilize psicologicamente a casa inteira. Uma coisa meio Tina, só que com o discurso de “te entendo, gata”. No mais, precisa ensinar a Amanda a dar uma controlada naquela olheira de saco de cachorro que tá foda.

Fernando: já amo. Por outras razões (graaaandes razões), mas amo. Pode se foder grandão nessa articulação anti-Fran ou pode transformar isso numa disputa Jean Massumi X Dhomini, só que sem Dhomini (e com metade da capacidade intelectual do Jean). Mas já formou casal, é carismático e devia ter tomado banho pelado no lugar do Douglas.

Os insuportáveis:
Douglas: fala o tempo todo com o olho esbugalhado (certeza que é filho daquele maluco que fuma charuto no Zorra Total), mas tem cara de que espana se for posto contra a parede.

Luan: é o PA do Douglas (PA melhor amigo do Dr. Gê do BBB 5, não a sigla que vocês estão acostumados). A julgar pela escolha, PARTICIPANTÃO!

Marco: filho do Inri Cristo com o vocalista da Tribo de Jah. Tirem suas próprias conclusões.

Amanda: como pode alguém me gerar tanto amor com um simples “CALABOCAAAAA” no primeiro dia e já me matar de preguiça por tanto recalque e de tanta aflição por carregar o gene do William Waack na olheira?

Adrilles: é coerente, mas quer usar linguagem rebuscada O TEMPO TODO, tem voz de Zacarias e já passou da hora de se assumir.

Cézar: subproduto de O Bem Amado (sério, ele comprou o box de DVD e decorou as expressões do Odorico Paraguassu). E como diz meu amigo Fil, tem grande potencial pra virar drag queen. Só não virou porque nunca ouviu falar disso na roça.

Julia: já saiu, mas só pus aqui pra comentar que ela me lembra muito aquela Ronaldinha que, depois que fez pornô, engordou 120kg e virou pastora.

Os figurantes:
Rafael: pegou a Talita e só.

Talita: pegou o Rafael e só.

Mariza: povo leva pra onde quer.

As promessas:
Tamires: não fez nada mas o potencial de louca surto tá ali!

Angélica: justiceira. Gosto.

Aline: alpinista de reality show. Não tem categoria, mas vai que...


Sobre o paredão de hoje, só tenho uma coisa a dizer pra quem votar pra Francieli sair e acabar com metade da graça do meu programa e vou fazer citando a própria: te desejo tudo o que tu me deseja.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

#BeijaFélixENiko




Pausa no BBB (mané pausa, nem escrevi ainda sobre!) pra falar sobre Amor À Vida. Eu abandonei de um tanto esse blog que não cheguei a escrever nada sobre essa novela! E olha que opinião foi o que não faltou. Depois da avalanche que foi Avenida Brasil, começando com Genésio morrendo e Rita sendo jogada por Carminha e Max no lixão, seguindo pro desastre que foi Salve Jorge, começando com Morena desacatando uma autoridade orgulhosinha da Estrela, começar uma novela do Walcyr às 21h (a primeira dele) com um conflito cruzado entre pai e filho e mãe e filha, o filho gay enrustido malvado até o último fio de cabelo, capaz de jogar a própria sobrinha numa caçamba (palavra recorde de menções nas redes sociais em 2013) e ainda assim cair nas graças do público por ser tão somente uma bicha engraçada (mas a da vida real, que todo mundo conhece, não a do Zorra Total) foi um alívio enorme!

O que se seguiu foi uma série de reviravoltas que renderam comentários desde “impressionante como o Walcyr entendeu o ritmo de novela das 9” até “que porra de diálogo é esse que só se fala em bigodinho há 2 semanas”. E no meio disso tudo, duas revelações incríveis: 1) Tatá Werneck, não-unânime, uma estrela! Núcleo cômico foda, Elizabeth Savalla maravilhosa e Tatá que nasceu pra isso. Não dá pra imaginar ninguém num cross-content com um programa como o BBB segurando 18h de imersão no personagem, improvisação e fazendo um conteúdo inacreditavelmente bom e hilário sem parar. 2) Félix. Sempre ele. Só ele. Mentira. Agora na reta final, ele e o Carneirinho. Quem diria que a gente já veria antes de envelhecer um casal gay como o protagonista de uma novela das 9 da Globo. O Walcyr pode ter errado a mão em várias coisas nessa novela (Malvino canastríssimo e Paola que, se pegar mais uma mocinha insuportável dessas, já pode pedir música no Fantástico), mas acertou em cheio no caminho da redenção do Félix. Se fazendo valer da licença poética que toda novela precisa ter (que faz até com que o tratamento dado a uma autista seja totalmente questionável) e usando o humor como forma de ganhar o telespectador, ele deu ao personagem o que lhe faltava para que ele recuperasse o senso de humanidade: amor. Em todos os níveis, da babá ao melhor amigo que se apaixona por ele apesar dos defeitos.

Ninguém nunca vai ouvir da minha boca que o tão falado beijo é um detalhe perto do que tem sido mostrado, porque eu volto a repetir que não mostrá-lo é tratar uma relação homossexual de forma diferente de qualquer outro tipo de relação afetiva e sexual que as novelas mostram à exaustão e isso não contribui em nada (pelo contrário) com a função social que a televisão aberta e o conteúdo de entretenimento que ela produz tem SIM com a formação cultural do brasileiro. Mas também é importante pontuar que nunca a intimidade entre duas pessoas do mesmo sexo foi mostrada de forma tão natural (mesmo sem beijo) e tendo como protagonistas dois estereótipos que não têm a menor vergonha de serem quem são. Félix, apesar de enrustido, nunca tentou esconder seus trejeitos (até porque era impossível). O Niko do Thiago Fragoso começou meio duvidoso, mas o ator entendeu que não precisava cair na caricatura pra mostrar delicadeza (tô doido pra fazer piada de bateção de bunda mas acho que não cabe nesse post que é sério hahahahahaha).

Esse post no blog do Luciano resume isso tudo ressaltando tanto a beleza de uma cena quanto o talento dos atores e ainda é entitulado pelo refrão da música da Heather Small, “Proud”, que foi uma escolha impressionante da Globo pra tratar da história dos dois, tanto pela letra, que fala de orgulho, libertação e coragem, quanto pela memória afetiva de quem foi espectador de Queer As Folk, o seriado mais escancarado sobre o universo gay que já existiu. Em tempos de Kaiques e discussões sobre leis que punam crimes de ódio devidamente (independente do resultado dessa investigação específica), há de se aplaudir o Walcyr e a direção de Amor à Vida por esse feito.

PS: reza a lenda que foram gravadas 3 versões de cena hoje entre Félix e Niko: uma com beijo, uma com selinho e outra sem beijo. Vamos acompanhar! 

Update: rolou o beijo! Numa cena linda, cheia de amor. Momento histórico! :)

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Vida tem trilha sonora


Vida deveria ter trilha sonora. Tinha até uma comunidade bem famosa no finado Orkut com esse título. A bem da verdade é que vida tem trilha sonora sim! Por isso que o “Na Trilha Da Canção", novo programa da Sarah Oliveira, que estreia no GNT dia 4 de setembro às 23h30, faz tanto sentido. Ali ela não só mostra que essa frase é real como destrincha essa tal de trilha.

Eu detesto ser clichê quando falo de TV (apesar de ser meio impossível às vezes) e exatamente por isso não vou dizer que a câmera ama a Sarah. Na verdade a câmera ama o que a Sarah faz com a TV. Ela é tipo a sua amiga da rua, a sua bróder da oitava série (saudade, Michelle!) ou aquela veterana gente boa que te leva pra tomar uma cerveja com os caras da sala dela ao invés de te dar trote só porque você é bicho. Do tipo que senta numa buena com o pé na cadeira e faz questão do copinho americano e te olha interessada enquanto você fala da vida, a Sarah é tipo uma catalisadora de momentos bacanas. Ela conduz a história mas faz zero questão de ser protagonista dela porque quer mais é que seus convidados brilhem.

Menina de tudo, intimamente encantada por aquela gente com quem troca idéia, ela só amplia a sensação que a gente tinha de quando era adolescente e se trancava no quarto ouvindo música.

O “Na Trilha Da Canção”, além de te pôr em contato com ídolos e compositores de músicas que fazem parte da sua memória afetiva (pra mim, por exemplo, ouvir MPB me remete, ao mesmo tempo, ao cheiro da sala da minha avó e ao abraço de uma turma de 30 negos que se conheceram num bar apertado na Vila Madalena há quase 10 anos), te dá sensação de intimidade com essas pessoas, além de te fazer pensar nos vínculos que todos nós criamos entre as canções que compõem a nossa história. E te dá uma outra visão das letras, dos fatos,
te faz rir, te emociona, te faz sentir mais parte.

Quando a MTV fez 20 anos eu terminei meu post de aniverário dizendo que eu queria muito que os ex-VJs pudessem continuar inovadores onde quer que fossem seguir carreira, mas agora falando pros que viraram adultos mesmo sem querer. Virar adulto sem querer, pra mim, é continuar trilhando a vida com música tema pra cada momento. E continuar se emocionando, se apaixonando... O "Na Trilha Da Canção" faz tudo isso pela gente inovando na coisa mais legal que um comunicador de TV pode fazer: contar histórias.


Repetindo: 4 de setembro, às 23h30, no GNT.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Salve Jorge: a novela que poderia ter sido

Estava eu, numa quarta-feira qualquer, atormentado pelo futebol semanal que acaba com a vida de quem só tem uma TV aberta pra chamar de sua e uma falta de afinidade com o esporte bretão, quando resolvo assistir pela 109ª vez a Kill Bill, Vol. 1, clássico de Quentin Tarantino. E qual não é a minha surpresa ao perceber que, com exceção da falta completa de vontade da Glória Perez de enredar uma trama como se deve, Salve Jorge poderia ser uma novela de sucesso.

Vamos aos fatos:

A trama:
Vingança porque acabaram com a minha vida.

O motivo da vingança:
Além de acabarem com a minha vida, levaram minha filha.

A mocinha:
Kill Bill: Beatrix era uma loira linda, treinada pelas artes marciais e que foi emboscada enquanto noiva.
Salve Jorge: Morena era uma morena linda, treinada por um traficante de drogas e que foi emboscada enquanto dançarina de funk.

Os mestres:
Kill Bill: Pai Mei
Salve Jorge: Delegada Helô
Ponto em comum: estão sempre na estica e aplicam uns golpes que você não consegue nem acompanhar de onde saíram. E ainda no final ajeitam o cabelo/barba como se nada tivesse acontecido.

Os vilões (por ordem de vingança no Kill Bill):
Kill Bill: Vernita Green
Salve Jorge: Rosângela
Ponto em comum: se iludiram que poderiam ser iguais aos demais vilões, se enfiaram até as tampas no crime mas tentaram se redimir quando encontraram um trouxa que as sustentassem. Se foderam no final.

Kill Bill: O-Ren Ishii
Salve Jorge: Wanda
Ponto em comum: achavam que dominavam a porra toda, angariavam cúmplices por todos os lados, mas morreram pela peruca.

Kill Bill: Budd
Salve Jorge: Russo
Ponto em comum: só têm a cara de mau e até fizeram a mocinha sofrer no decorrer do processo, mas se foderam porque acreditaram em mulheres que não queriam nada com eles.

Kill Bill: Elle Driver
Salve Jorge: Irina
Ponto em comum: as louras más que juram que são alguém na noite mas não têm mais juventude pra agüentar o tranco.

Kill Bill: Bill
Salve Jorge: Lívia Marini
Ponto em comum: se achavam os reis da cocada preta, só foram meter a mão na massa no final mas acabaram morrendo pelo coração (bonito isso).

Personagens secundários:
Categoria nepotismo: o braço direito da vilã secundária:
Kill Bill: o irmão da Lucy Liu
Salve Jorge: Junno, o namorado da Xuxa

Categoria tentativa de humor: a hostess do bar:
Kill Bill: Charlie Brown
Salve Jorge: Dona Diva

Categoria ainda tem que comer muito feijão com arroz: o projeto de vilã:
Kill Bill: Gogo
Salve Jorge: Maria Vanúbia

Cenários da batalha:
Onde tudo acontece:
Kill Bill: EUA (Califórnia) e Japão (Tokio)
Salve Jorge: Brasil (Rio) e Turquia (Istambul)

Paraíso paralelo:
Kill Bill: México
Salve Jorge: Capadócia

Línguas secundárias:
Kill Bill: japonês e mandarim
Salve Jorge: turco safado e português do morro

Armas utilizadas:
Kill Bill: espadas Hattori Hanzo e tapa na cara
Salve Jorge: um revolvinho mequetrefe, uma seringa com Ades de maçã e tapa na cara

Meio de transporte:
Kill Bill: a Pussy Wagon chamativa
Salve Jorge: o jatinho da ponte aérea Brasil-Turquia não cadastrado na ANAC

Erros (porque nem o Tarantino está livre):
Categoria cabelo:
Kill Bill: Beatrix alterna entre cabelo curto repicado e comprido “estou há 4 anos em coma”
Salve Jorge: Morena alterna entre cabelo de propaganda de shampoo e crespo “are you leaving the Supremes?”

Categoria “não tem ninguém vendo?”:
Kill Bill: Beatrix mata Buck no hospital onde estava em coma há 4 anos e o companheiro que foi servir-se dela e fica 13 horas no estacionamento tentando movimentar o dedão do pé.
Salve Jorge: Morena vai pra igreja no meio da madrugada dar uma rezadinha básica, encontra Théo mas não encontra os bandidos que estão por toda a parte, justificando sua reclusão num hotel.

Conclusão:
P: Por que Kill Bill é infinitamente melhor que Salve Jorge?
R: Por que em Kill Bill não tinha o Théo.



PS: algum Diretor de Arte amigo podia transformar isso numa tabela comparativa e presentear este que vos fala, né? Só, assim, uma sugestão. Grato.

terça-feira, 19 de março de 2013

Salve Jorge: demole tudo e faz um estacionamento


Salve Jorge é uma novela tão incrível que eu não sei como até hoje eu não escrevi um mísero post sobre ela (na verdade eu sei: o BBB tava consumindo muito a minha vida, mas a Fani saiu e o programa acabou pra mim). Mas eu entendi essa novela é basicamente o melhor programa da TV aberta na atualidade! Vamos aos fatos:

Pra começar, recapitulando meus 3 principais motivos pra assistir a essa novela:
1. Narjara Tureta: infelizmente entrou no rodízio de atores da Glória Perez e consegue aparecer menos que a Zoraide;
2. Vera: assumiu a terceira idade e passa a vida sentada atrás de uma cortina de miçangas fazendo caras e bocas. Nem quando dá de louca convence mais. Retiro dos Artistas DJÁ!
3. Thammy: ela não anda. Ela desfila. Ela é top, capa de revista. Melhor elenco de apoio DO MUNDO pra melhor (única, na verdade) coisa boa dessa novela:

DELEGADA HELÔ!
Sério, deviam fazer igual a Torre de Babel, botar a maior parte do elenco num shopping e explodi-lo, deixando só a delegada Helô, o Stênio, a Creuza e a Thammy. Aquela filha dela que namora o mano das californianas podia trabalhar de vendedora da Arezzo do shopping, pra não escapar. A Betty Gofmann tinha que ser a moça do balcão de informações, bem no meio dele. A Neusa Borges, o Mussunzinho, a Deuzuíte com o Pescoço, a Maria Vanúbia, o Celso e a família inteira da Nicete Bruno (menos ela e a cachorrinha fofa) seriam levados por um tour pelas instalações por ninguém menos que a Lisandra Souto, a primeira a voar pelos ares na explosão.

Delegada Helô, então, seria tipo uma versão 2.0 da Justiceira da Malu Mader. Thammy seria uma versão mais máscula do Leonardo Brício, fazendo um triângulo com o Stênio. Dava até pra aproveitar a Cissa como a melhor amiga coadjuvante, que aparece pra ter conversa de mulherzinha pra aliviar a tensão. Seria um sucesso, afinal, Delegada Helô é o ideal da mulher moderna. Linda, gostosa, bem vestida, ousada, boa profissional, honesta, corajosa, desperta tesão no marido de mais de 20 anos e tenta ser boa mãe, mas a filha é uma bosta. Exatamente por isso que ela será excluída do seriado. A Estrela vai voltar a ter relevância definitiva com a linha de bonecas da delegada Helô (bem mais do que a tentativa de revival do Ferrorama). A pulseira dela vai causar briga de tapa entre as habitués da R. 25 de Março. Donas de casa farão milhares de macacões com cortinas velhas da sala. Enfim, Glória Perez não sabe ganhar dinheiro.

Mas, voltando à novela, e o que me fez enxergá-la com outros olhos foi exatamente encará-la como um eterno núcleo cômico! Vejam bem:

Núcleo Falha Nossa:
Morena: garrei amor e acho de fato a atriz bem boa, a não ser quando está na Turquia e a umidade do ar enrola seu cabelo numa vibe toda “Are you leaving the Supremes?” da Monica do Friends. Fora que ela tá grávida há anos! Vai nascer mais bebê dali do que da grávida de Taubaté, juro.

Núcleo Zorra Total:
Vou nem me estender escrevendo. O Morri de Sunga Branca fez A MELHOR ANÁLISE EVER da cena da morte da Ana Breatriz Nogueira que, sabiamente, pediu pra sair. Sorte da atriz, que era só enteada da Nicete Bruno (se fosse filha tinha toda uma outra trama dramática) e numa versão menos intensa da Natália do Vale, ou seja, o perfil não faz falta. Se não rolar explosão de shopping, sou bem a favor da galera imitar. Ou fazer igual André Gonçalves e Cristiana Oliveira que não aparecem há uns 2 meses, mas devem continuar recebendo salário.

Núcleo Tapas e Beijos:
Flávia Alessandra quer casar. Compreensível depois de Marcos Paulo (que Deus o tenha) e Otaviano Costa (tá a cara William Bonner do Pânico). E pra isso aceitou o pior papel da história da teledramaturgia nacional: Théo a trocou por Morena duas vezes, beijou a melhor amiga, passou a gravidez inteira (da Morena, no caso) chorando de saudade da ex no colo dela pra, por fim, dizer que era o que tinha pra hoje e convidá-la a morar com a sogra. Juro que não sei o que é pior: se tudo isso ou quase morrer do coração de susto cada vez que a Mamushka aparece na sala de surpresa e a gente lembra que ela também faz parte do elenco. Isso sem contar que ele vai chifrá-la com a Lívia Marini, porque Cláudia Raia cansou de só fazer expressões faciais diferentes quando ataca com sua seringa paralisadora.

Pensando bem, Roberto Carlos... você não merecia.

segunda-feira, 4 de março de 2013

BBB 13: Otite


Logo após o último post, quando eu disse que, tirando Fani, queria mais que todo mundo se explodisse e que a falta de apego por alguém estava deixando esse BBB um porre, uma coisa muito séria começou a me atormentar: a possibilidade de vir a me apegar à Kamilla.

Tudo começou quando Maroca resolveu perder o milhão sozinha bancando a moralista recalcada pra cima da Kamilla, criticando-a por ter pudores em não mostrar a calcinha mas não tê-los para beijar o Eliéser. OI? Isso sem contar que ela tinha acabado de voltar do seqüestro relâmpago no SPA e, no minuto em que entrou na festa berrando, negada demorou uns 10 minutos pra ir falar com ela. Foram porque tinham mais preocupação em saber se ela tinha voltado líder como Maroca do que se tinha sarado da tosse que, segundo o André, poderia tê-la matado (ai, esse povo sequelado me cansa, juro). E aí, aquela coisa... rejeição gera compaixão, coração fica apertaaaaaado...

No fim, depois de terminar com o namorado porque ele tinha pinto pequeno (HAHAHAHAHAHAHA!), foi pro paredão com ele e voltou. O duro é que mesmo ela sendo excluidinha e tal e ter feito uma única amiga (capachona, que apanha mais da BFF que do projeto de príncipe que ela arrumou), Kamilla é fake demais pra que eu me apegue. Começou com um chororô pra gralha mor que logo foi desmascarado. Tenta loucamente chorar mas não escorre uma lágrima. Conversa sozinha na academia sobre seus pensamentos e briga o tempo todo com Fernanda com medo que os conselhos da amiga a prejudiquem porque é a rainha da câmera, esperta que só ela. Mas gritar o tempo todo não me convence, como nem a ela mesma convencia o jeito calmo de Marcello ao tentar desestabilizar a galera. Já vai tarde, by the way.

A questão é que, apesar de tudo isso, Kamilla movimenta a casa, além de ter uma sorte do cacete, já que acabou de virar líder de novo (sorte, claro, porque nem Bial teve paciência pra explicar a prova nem o povo lá teve tutano pra pensar estrategicamente em quem escolher), ao contrário do resto do povo. Pelo menos pode servir de escada pra Fani, que resolveu ser sua amiga, fazendo a defensora dos fracos e oprimidos (beijo, Siri!). De verdade, pra mim tanto faz sair Nasser ou Maroca agora. Se Nasser sair agora, a Santinha do Bial ou vira Natália ou se caga de medo de estar sendo “mal-interpretada” aqui fora e ter escolhido o “lado errado” (se bem que nunca vi um BBB chegar no final do segundo mês sem ter grupo NENHUM definido, vejam só). Se Anamara sair, é menos uma gralha assoberbada gritando.

E só pra completar, já que o programa tá tão boring que nem rende uma lauda, leiam o atrevimento desse que vos fala querendo dar pitaco sobre quem critica BBB aqui! MÃE, TÔ NA GLOB...OPS! NO IG!

#FicaFani

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Quesito: carisma. Nota: zero

Imagem: blog Cartas Para Pi

Quando essa edição começou, eu disse que teria potencial pra ser o melhor BBB ever. E tem mesmo! Em termos de jogo tá incrível – tirando, obviamente, as incansáveis tentativas vergonhosas do Bial de minar a politicagem de todo mundo em frente às câmeras. Queridão, seu chefe resolveu encher a casa de veterano e de dois negos que passaram uma semana em contato com o público numa casa de vidro pra intimidar os novatos. Ser político “ao vivo” é a única arma que eles acham que têm pra evitar exposição negativa! Deal with it!

Bom, depois que o Dhomini foi embora, aconteceu tanta coisa que precisava mesmo ter escrito um post por semana:
- Maroca foi a protagonista do primeiro twist, tendo sido falsamente eliminada, pra frustração do Eliéser que, rei da câmera, reclamou de não ter nem podido justificar o voto e ainda pagou cara de cu ao vivo quando ela voltou
- Maroca ficou insuportável achando que era a preferida mas deu a melhor justificativa DO MUNDO pra indicar Aslan
- Nat nos mostrou o pipi do Super Yuri e engatou um romance pastelão patético com ele
- A produção ignorou que Fani precisa de medicação
- Eli atendeu o primeiro Big Fone e comeu metade do Globo Repórter pra pôr um colar totalmente inútil no pescoço da Anamara
- Yuri foi impressionantemente eliminado porque estava com o rei na barriga, ficando com cara de Irislene na saída (aquela cara de quem se jurava tão protagonista que não consegue nem chorar quando sai) e botando Maroca de volta ao seu lugar (pelo menos pra isso serviu)
- Kamilla virou protagonista

Só que, mesmo com tudo, tô achando tudo um cu porque, tirando Fani, eu não gosto de ninguém! Só aconteceram coisas relevantes com os veteranos porque os novatos têm o carisma de uma ostra e eu cago baldes pra eles. Faz uns dois anos que me impressiona o Boninho ter perdido a mão na escolha de participantes. Eu já abracei o Jean Wyllys na rua, troquei meu avatar do twitter por uma foto da Leka e quero muito ser amigo da Priscila do BBB 9, do mesmo jeito que cuspiria na cara do Dr. Marcelo, porque o ódio também é uma espécie de paixão. Mas nesse BBB, tirando a Fani, eu quero mesmo que todo mundo se exploda. E me diz se eu não tenho razão:

Comecemos pelo trio enganação:
Andressa: jura que é menina ingênua do interior. Não tem o menor respeito nem pela Gadu que tá pegando e ainda vai morrer pela língua.
Nasser: jura que é hétero. Perdeu pontos quando deu um beijo no Eliéser antes de lhe dar o colar que poderia o colocar no paredão.
Ivan: jura que é relevante. A edição até tentou lhe dar função colocando-o como ponta de um triângulo inexistente com Andressa e Nasser, mas o gato da festa pegou esse papel antes.

Bloco da baixa auto-estima:
Marien: chata, insegura e recalcada. A única cena boa que protagonizou foi a briga com Kamilla ontem, que compensou a babaquice de tentar convencer todo mundo que Eliéser é (cof!) calculista. Hahaha!
Fernanda: precisa explicar? É tão coitadeza que encontrou em Kamilla sua melhor amiga.

Cordão da auto-estima elevada (o que não significa nada):
Anamara: depois de baixar a bola com a saída do Yuri, pode muito bem ganhar esse programa. E, perto de Kamilla, conviver com Maroca é uma delícia!
Eliéser: tadinho... é graduado e pós-graduado, fez 169 eventos em um ano e sofreu bullying do Boninho  em todos os twists do programa. Mas sua auto-confiança o fez gritar no quintal pedindo força pro seu fã-clube (que no twitter passou de 1000 seguidores ontem), sem saber que teve a cena cortada :P

Os parasitas:
Natália: só funciona com um potencializador: álcool, Fani ou Yuri. Sem um dos 3, fica inanimada, em simbiose com gente como Marien.
André: só existe com Fernanda, que o apelidou de príncipe (pra mim ele parece um calango fantasiado de Fiuk) e o pôs no jogo. Sem ela, é só um maconheiro sequelado.

A protagonista do meu coração:
Fani: mesmo sem ter o menor dom pra isso desde o BBB 7, pelo menos agora ela se posiciona, se compromete e abraça o jogo. Mas independente disso, é a única que me desperta amor. Quero ser amigo, sabe?

A antagonista:
Kamilla: chata e insuportável de propósito (só pode), chora sem derramar uma lágrima e abandonou a tática do  coitadismo assim que todo mundo fez "ai, tá". Berra "eu te amo" pra Fernanda a cada 5 minutos desde a prova do líder e é bom que continue porque a soberba já tá fazendo até Marcello se afastar.

Ah, Marcello! Esqueci dele! Bom, agora que Yuri saiu, já podem eliminá-lo. Chato problemático que tenta desestabilizar as pessoas mas seu talento só atinge o SMARTÃO do Eliéser.

Viram? Não tá puxado?

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

BBB 13 e os valores da família brasilzzzzzz...

Imagem: Blog Como Assim Bial?
 
BBB, né, gente? Reality show... programa que denigre a cultura do país... do qual todos nós, telespectadores, deveríamos nos envergonhar... que depõe contra a nossa inteligência, forma caráter, deturpa a cabeça das criancinhas, bate na sua mãe E na sua vó, ultrapassa seu carro no trânsito sem dar seta e, como se não bastasse, acaba com seu plano do Claro Controle antes do dia 15 só porque você PRECISA eliminar aquela pessoa intragável que destrói os valores da família brasileira.

Pois bem. Vamos fingir que eu realmente me importo com tudo isso e que estou usando esse (meu próprio) espaço como uma espécie de rehab. Vou começar então pelo desabafo: a gente PRECISA eliminar o Dhomini.

Dhomini é o estereótipo do matuto, caipirão, bonachão, que você adoraria ter na turma pra animar seu churrasco e rolar na grama e te chamar de amor de tanto rir de seus causos tão espirituosos. O limite é quando a graça não existe mais. Que é onde geralmente começa a apelação. E pra quem tem dúvidas disso, é só dar uma varrida rápida na programação humorística atual da Globo pra entender (tirando o “Louco por Elas” que é muito amor).

Dhomini voltou, depois de 10 anos, sendo exatamente o mesmo cara que era no BBB 3. Já agarrei amor. Era aquele cara do churrasco e tal. Pula a parte que ele tá casado, com dois filhos pequenos e a mulher grávida de 5 meses, e que já ganhou e perdeu tudo porque né? eu não tenho nada com a vida “lá fora” de ninguém; e vamos pra parte que ele começa a lançar frases machistas tipo “só cumprimento mulher porque tem b***ta” (mas que nego não se abala porque no interior é assim. Mentira: na roda do futebol da firma na maior metrópole do Brasil é assim) e diz que ARRANCOU OS DENTES DE UM CACHORRO COM UM MACHADO, UM POR UM, AOS GRITOS DE ‘NÃO! NÃO! NÃO’ do povo do sítio onde morava, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ok, ele desmentiu ontem. Só que piada a gente ri ou desmente na hora, que é pra ter graça. Essa não teria de qualquer forma, mas mesmo assim, verdade ou mentira, o cara tem que ser responsável minimamente pelo que diz em rede nacional, tendo a popularidade que ele sabe que tem.

Isso tudo pra chegar na minha teoria de que os candidatos para os quais torcemos ou os argumentos que usamos para isso dizem muito sobre as nossas pessoas. Enquanto este senhor não desmentiu sua “piada”, o que se viu foi uma enorme quantidade de gente justificando o ato como “é só um cachorro”, “na roça é assim” e etc, enquanto o mesmo público tirou a Aline porque é “grossa, mal educada, denigre a imagem de quem vive no morro, escrota” e tudo o mais. Porque no fim, não importa o que você diga, o que importa é ter bom humor. Ser agressivo não pode, porque reflete o nosso comportamento quando estamos acuados – caso de quem está preso na casa e, mais especificamente no caso da Aline, com uma necessidade infantil (mas deliciosamente pastelônica) de se impor numa casa em que todo mundo aparentava (pra ela) ter um grau mais elevado de instrução. Reflexo e conseqüência da intolerância.



Recap do jogo:
Fazendo um parênteses rápido (tem mais análise do jogo no texto da Jessica de ontem!), Dhomini resolveu se isolar e bancar a vítima em mais uma tentativa desesperada de estratégia que convença o público Datafolha, como definiu minha amiga e parceira de BBB Chiara Martini. Eu espero que não funcione por ser só triste e decepcionante. Mesmo. Não é pra isso que eu assisto reality show (repito) como forma de entretenimento. Nesse ponto, Maroca me dá mais. Duplo argumento pra que ela fique.

E pra não passar em branco, já que tem muita gente naquela casa, eu tiraria de cara: KamillaSalgado (por motivos de ódio), a Princesa Barbuda (por motivos de sanidade) e o namorado (por motivos de já termos Marcello), Aslan (chato pra porra), Marien (qual a função?) e Andressa (ela AINDA jura que dá pra carregar a bandeira de capiau ingênua porque acredita que no escuro só o Nasser vê?). Já fico mais do que satisfeito com Maroca berrando, Nat bebendo, Fani sensualizando e Yuri ganhando. O resto é tudo figurante.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Post colaborativo: Quando o BBB 13 virou uma samambaia (by @JessicaBlumer)




Espero que esse título esteja totalmente errado. Espero que a nova medida anunciada hoje pelo Boninho – de fazer um “vai e volta” nessa edição – realmente dê certo. Porque, do contrário, o BBB 13 virará uma samambaia: bonito de se ver e para decorar, mas que na real não serve pra nada.

Aí vocês me perguntam: por que não serve pra nada? Simples: porque não irá entreter nem a mim, para comentar, e nem a você, para ler as críticas e babados do dia a dia dos confinados. Com o passar dos anos, o BBB teve diversas alterações e, junto com o programa, mudaram também os seus telespectadores. Hoje, ninguém quer ver o pobrinho ganhando, como foi com a Cida (obrigada, Boninho, por não fazer mais um Porta da Esperança, apesar de eu adorar o programa quando era criança). Também ninguém quer ver aquele que sofre de preconceito, como foi com o Jean Wyllys.

O que queremos? Ver o BBB todos os dias e ir na casa dozamigo que têm PPV!!!! Como queremos? Vendo o circo pegar fogo!!!! Por que queremos? (Acho que todo mundo já chegou à conclusão de que não trata-se de um programa cultural, tampouco que irá nos enriquecer intelectualmente, né? Ah tá, então vamos continuar o post). Porque queremos mais é ver a Fani se divertindo e falando que vai ficar na seca porque não tem homem, sem medo de ser feliz!!! Porque queremos mais é ver o Yuri se jogando nas festas atacando a mulherada!!! Porque queremos mais é ver a Maroca e sua voz de gralha brigando com quem quer que for!!! Porque queremos mais é ver a Nathália... oi, Nathália, queremos ver a Nathália!!!!! Sim, sem medo. Queremos mais é pessoas que não tenham medo de se mostrar. Mas que se mostrem (ai, veteranos... o que seria de nós sem vcs?) Senão... #SamambaiaFeelings

Do jeito que está, vai sobrar um monte de bonzinho que não faz nada o dia todo, que toma sol com a bunda pra cima e passa protetor na barriga de tanquinho para aparecer na edição do patrocinador do programa. O título da próxima charge será: “Mulheres gostosas com homens sarados em um completo clima de azaraçãozzzzzzzzzzzzzzzzzzzz”. Gente, Sessão da Tarde às 22 horas? Dormi.

E o paredão de agora? Oi!!!! Eu sei que o Dhomini é um escroto. Mas colocá-lo no paredão agora e justo com a Maroca? #SamambaiaFeelings. Nenhum dos dois tem que sair, não agora, pelo menos!!! Eles agitam, brigam, colocam suas opiniões, jogam, analisam e fazem tudo aquilo que não gostamos na vida real. Porque ali não é vida real, é jogo. É pra isso. E não estamos ali, estamos apenas “espiando”. Olha que legal!!!

A mesma coisa em eliminar a Aline. Eu sei que já é assunto antigo, mas não consigo me conformar. Pronto, falei. Quer dizer, vou continuar falando. A Aline era barraqueira, sim. E daí? Sensacional pra agitar a casa e fazer todo mundo se mexer. Não é divertido em um programa de televisão? Duvidoeodó que alguém aqui não riu quando ela afirmou, em rede nacional e ao vivo, que Bambam foi RI-DÍ-CU-LO na prova do líder. Antes de ela mesma falar, era o que todo mundo comentava nas rodinhas de BBB.

Oi, né? Se for pra ganhar “aquele que merece”, vai pro Criança Esperança, com a Xuxa apresentando! Não quero ver o pobrinho e o bonzinho ganhando uma grana que eu não vou ter acesso e que, daqui um ano, vai ter notícia do fulano dizendo que torrou todo o seu dinheiro e virou pobrinho de novo. Eu não tenho nada com isso. Eu quero mais é rock n’ roll! Quero mais é os textos do Bial e o apresentador (que é jornalista, ram, ram) falando nas entrelinhas os recadinhos para o povo quebrar tudo lá dentro! Quero mais é ver panelaço e, de novo, quero mais é entretenimento!!! Não é pra isso que o BBB está no ar há 13 anos?

Jornalista por profissão e por vocação. Está em cima do palco nas horas vagas, tentando algo que que aproxime de ser uma atriz sem talento. BBBmaníaca sem medo de ser feliz, maníaca por TV e fã número 1 dos textos do dono desse blog :)