terça-feira, 23 de outubro de 2012

Tchau Tchau Tchau


Carms, você foi tão importante na minha vida duante esses meses que eu mal fui capaz de escrever alguma coisa de qualidade nesse humilde blog sem me derramar de amor e comprometer a imparcialidade (COF!) do texto. É por isso que quero me despedir oficialmente.

Olha, eu sempre te amei. Mesmo quando achava que você era só a bruxa da Branca de Neve sem coração. A chegada do seu pai Albieri só explicou pra gente que você é o tipo de vilão com razão de ser, o único que eu respeito (Lucinho, seu comparsa, que é só um bunda mole que nem pra ser vilão serve, por exemplo, eu não respeito. Mas super te entendo, gata!). Por isso que não me surpreendeu nem um pouco você ter salvo a Nina e o Corno, dando um tiro no pé bom daquele Dr. Chapatin do mundo bizarro. E olha, nem fiquei puto que ele não tenha aparecido mais porque já não aguentava mais ele distribuindo perdigotos pra todo lado com a dentadura da Laura Cardoso.

Mas em nome desse amor eu queria te dar uma dica: você passou 12 anos carregando uma Michael Kors pra cima e pra baixo, cheia das jóias e virada nos tons claros. Eu sei que o lixão não permite muito apego pela moda e que você teve até que improvisar um banho de creme no cabelo com saco de plástico amarrado na cabeça, mas não usa mais meião de jogador de futebol, não... Deprê, sabe?

E, por fim, só pra te atualizar do que tá rolando no Divino, o Cadinho oficializou a suruba em praça pública mas até agora não deixaram o Roni dar uns catos em público no Leandro, ou seja, se já não dá mais pra bancar a pose de defensora da família brasileira, melhor ficar pelo lixão mesmo. Até porque sua família cafona aumentou de tamanho e a Muricy continua lá. Você não merece isso...

É isso, Carms. Fica bem, atualiza a antitetânica, vai visitar a Ágatha de vez em quando, pelo menos pra roubar o lanche dela, e me espera aí nas minhas próximas férias que a gente vai super se jogar no baile Charm!

Bjo,
Mario. 





PS: e só pra não passar em branco, gostaria ainda de usar esse espaço pra declarar meu amor eterno, amor verdadeiro por Nilo, Zezé, Adauto, Verô, Darkson e Betty Faria. É Divinooooo, lááá laiááááá...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

"Eu nem peguei minha bolsa!"


PELAMORDEDEUS, o que foi o capítulo de ontem de Avenida Brasil??? Sem dúvida, o que eu mais amo na Carminha é ela ser uma vilã tipicamente brasileira. Tenta fazer a fina mesmo tendo espírito brega, não sente culpa em se divertir e tá sempre dando jeitinho. Mas quando o bicho pega e ela se sente acuada, não agüenta e sai distribuindo verdades pra todo lado! Porque ontem a nossa musa só falou verdades. O que não a livrou dos tapas que a gente ama tanto.

Enfim, vamos ao texto: essa novela parece não seguir a menor regra, mas no fim até que tudo faz sentido: foi de tirar o fôlego até o capítulo 100, depois seguiu-se uma semana de tortura na Carms pro nosso bel-prazer até que a gente entendeu que a Nina, apesar de esforçada, não tem vocação pra se vingar. Aí, quando a mocinha se vê toda cagada, com o elenco inteiro desconfiando  dela e tendo que se casar num lixão por uma mãe Lucinda com um fascinator que faria Lady Gaga chorar de desgosto (ou arrependimento), a novela fica tão morna quanto a existência sem sentido da Nina.

Mas JEC não havia de nos decepcionar e logo veio a melhor parte: Max, o vilão coadjuvante com Q.I. de avestruz, apertando o botão do foda-se e fazendo o que a Nina não conseguiu a novela inteira por não estar familiarizada com os avanços da internet móvel, das redes sociais (apesar de ter conhecido Ivana no Orkut) e da possibilidade de guardar seus arquivos na nuvem (ou num pen-drive que fosse). Claro que tudo isso motivado pela conclusão do que foi a cena mais tocante da novela até aquele momento: Carminha tentando matá-lo depois de demonstrar pro público que naquele peito vadio bate um coração. Isso sem falar da banana que ele mandou pra família em homenagem ao Marco Aurélio de Vale Tudo.

E o que se segue é um capítulo incrível que deu à Globo a maior audiência do ano na TV! E começando com um texto brilhante, desde a hora que Carms explode dizendo que a maior verdade era que tinha perdido os melhores anos da vida naquele subúrbio de quinta com aquela família cafona até o momento em que é jogada pra fora da mansão e só consegue pronunciar a mais profunda frase: “Eu nem peguei minha bolsa!”

Não vou comentar os outros núcleos da novela porque eles não contribuíram em nada pra isso. Ao contrário de Adauto, responsável pela próxima cena mais tocante da novela quando sai da mansão chorando porque tomou uns galhos da vaca (essa sim!) da Muricy. Eu já disse e repito: acho que sei como seguir a vida quando Avenida Brasil acabar, mas não sei o que farei sem Adauto (porque Zezé eu já tenho a minha). Eu tipo trocaria todos os figurantes por Adauto: ele faz a gente rir como o núcleo Cadinho deveria fazer, tira a camisa como os atletas do Divino, tem amor puro como o de Darkson por Tessália, e Suellen... bom, Suellen hoje cumpre a mesma função de Cadinho: nos lembrar que é hora do xixi. Talvez mantivesse só Olenka, porque ele merece uma mulher que se dedique.

Mas voltando à Carms, essas duas últimas semanas fecham uma história que só existiu por causa dela: ela transformou a família Tufão no que eles viraram e agora eles vão ter que reagir à tudo o que ela vomitou na cara de cada um ontem. E enquanto eu torço pra que a Monalisa dê mais uma surra bem dada nela, dessa vez sem a interferência daquele padre com cara de Trakinas assustada, vou planejando minhas próximas férias no Divino antes que a abstinência chegue.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Tudo culpa da RRRRRITA!


- Olá, meu nome é Mario.
- Oooooooi, Mario!
- Tenho 30 anos, sou solteiro, publicitário e noveleiro. Sim, noveleiro. Estou há 18 horas sem assistir novela (na verdade 16, se eu contar Gabriela) e não posso dizer “só por hoje” porque ontem a Carminha descobriu que a Nina sustenta o Max e os planos de vingança com o dinheiro do sequestro dela e eu preciso saber no que isso vai dar. PRECISO!

Minha relação com novelas começou muito cedo, talvez por sempre ver meus pais consumindo. Eu sempre os amei muito, e ainda amo, e talvez por isso fui influenciado a assistir novelas. Quando criança eu era obrigado a dormir às 20h30, mas as novelas nos anos 80 começavam mais cedo. E nessas eu descobri Maria de Fátima, Odete Roitmann, Felipe Barreto, Perpétua, Isadora Venturini e toda uma variedade de personagens que causavam os mais diferentes efeitos em mim. Meus pais, talvez inconscientes de que o vício independe da dosagem mas sim da suscetibilidade do usuário, começaram a chamar minha irmã, batizada Thais, de “minha doce Thaisinha” em referência à forma como o personagem de Antônio Calloni (por Baco!) se referia à personagem de Letícia Sabatella em “O Dono Do Mundo”, novela de Gilberto Braga, com direção de Denis Carvalho, primeiro papel de Letícia na TV bem como de seu futuro marido Angelo Antonio, o apaixonado Beija-Flor... Desculpem, gente. Eu tenho tentado me conter mas, quando eu percebo, o cordel de referências já está saindo da minha boca feito lingüiça (desculpem também pela nojenta metáfora).

A questão é que, conforme fui crescendo, passei por vários estágios da dependência, buscando as mais diversas maneiras de satisfazer minha necessidade quando as adversidades da vida me impediam. Mais uma vez, com influência do meu pai que gravava “Pantanal” quando precisava sair para qualquer compromisso, aprendi a utilizar o vídeo-cassete como um aliado. Chegou um ponto em que gravava “Laços de Família” e chegava em casa da faculdade apertando o “play” antes de dar boa noite a meus progenitores. Mas isso já não me satisfazia. Ainda guardo fitas e fitas com finais de Big Brother, apresentações (para mim somente) épicas do finado Fama e duas especificamente com as cenas finais de revelação de “Por Amor”. Com o advento da internet, cheguei a assistir “Pé na Jaca” e “A Lua Me Disse” pelo You Tube diariamente durante minha hora de almoço, retomando o apego à novelas das 19h, prática extinta desde que assinei minha carteira profissional pela primeira vez.

Tenho pensado seriamente em como seria minha vida caso me curasse dessa celeuma. Inclusive fiz um teste ano passado quando fiquei completamente ausente das novelas (com exceção de capítulos decisivos da reprise de “Vale Tudo” que, por conta de um fuso horário de 4 horas, me faziam passar noites em claro) mas quando estava me considerando pronto pra função, principalmente depois da vodka batizada que foi “Fina Estampa”, chega João Emanuel Carneiro (“A Favorita”) e lança no mercado “Avenida Brasil”. Quando vi a primeira cena da novela com uma Bruna Marquezini ultra melhorada, sem sua lamentação manequiana mas enfrentando com garra a maior vilã de todos os tempos, Carmen Lúcia, meu coração parou. Parou junto com o do Genésio. Congelou no cinza junto com Tufão. 

Desde então, acredito que até outubro terei perdido metade dos meus amigos (os que não consegui corromper, obviamente) e desconfio de que precisarei de terapias holísticas (a minha jungiana morre de rir do meu vício e até tem começado a se preocupar, mas não sei se ela entende minha vida sendo guiada por Carminha para todo sempre) quando o Divino for extinto. Ao me ver forçado a ligar a TV às 21h diariamente eu acabei com uma festa de aniversário no capítulo 100, com uma festa julina no capítulo 101, com um open house no capítulo 104, quando Zezé finalmente foi agraciada com uma congelada histórica, e acabei com amizade com a minha roommate no capítulo 117, a maior obra-prima já vista num capítulo de quarta-feira, onde o futebol, outra famosa droga que assola a sociedade mas da qual sou imune, fode a nossa vida não permitindo nem o momento “Oi Oi Oi” – Carminha sendo trocada por Nina, ficando muito louca, batendo o carro, tomando uma com os colegas numa birosca, fazendo O MELHOR DISCURSO DE TODOS OS TEMPOS e, por fim, congelando na boléia de um caminhão de lixo entornando uma garrafa de cachaça no gargalho gritando “TOCA PRO INFERNO, MOTORISTA”. 

Se o lixão é o inferno, eu não sei, mas que eu tenho vontade de cantar “Andança” pra Carminha sempre que ela aparece, não vou negar.

- Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras. Obrigado. É só por hoje (MENTIRA! #OIOIOI!).

quarta-feira, 4 de abril de 2012

"A Vida Da Gente" - Beijo, Nelinha!



Depois de ter acabado (merecidamente, me desculpem) com Nelinha por causa de Tempos Modernos (não, não sou tão bizarro assim, só me lembro porque fiz post), eu precisava me redimir depois de ter tido a chance de acompanhar o final do que certamente foi uma das melhores novelas das 6 que eu já vi e a melhor que esteve no ar ultimamente: A Vida Da Gente.


Novela das 6 é aquela coisa, né? Mamão com açúcar, “dramalhinho” romântico, uma carga leve de comédia... enfim, tudo aquilo que faz as nossas avós falarem “ah, mas essa novela é tão bonita! Aquele moço trabalha tão direitinho!” – pelo menos a minha, responsável por tudo o que eu sei sobre novelas das 6 e com quem eu assisto aos sábados desde sempre. Mas essa conseguiu fugir desse estereótipo caindo numa tentativa corajosa de trazer cotidiano envolto em uma trama bem amarrada – e exclusivamente trágica – prum horário com fórmula já estabelecida (basicamente a gaveta do Walcyr Carrasco). Outras já haviam tentado e fracassado sem piedade (porque a única garantia que existe na TV aberta é que novela das 8 dá audiência. De resto, é teste).

Todos os personagens eram críveis e esse era o maior trunfo da novela: as pessoas eram tão humanas e cada atitude era tão exacerbadamente explicada – inclusive na técnica mencionada pelo Nilson Xavier de utilizar personagens secundários como formas de justificar seus sentimentos – que a relação da Manu com o Rodrigo nunca foi severamente reprovada, pelo contrário. Tudo muda, todo mundo carrega histórias que compõem quem a gente se torna e o tempo, cantado pela novela toda e recitado no último capítulo pela Nicete Bruno, é o maior responsável pelos desencontros e pelas resoluções de tudo que parece meio bagunçado. Principalmente numa novela onde ele é o próprio vilão também. Não, a Eva não era vilã. Muito menos a Vitória ou o Jonas. São seres humanos comuns com quem a gente convive e muito.

Voltando à redenção, eu ficava absurdamente tocado toda vez que via Fernanda Vasconcelos nessa novela. A Ana fugia completamente da mocinha chata e chorosa que só se lamentava da vida. Ela sofria sim, mas foi lá, tentou (e conseguiu no fim) construir uma nova história, tentou recuperar a vida perdida antes, teve falhas, caiu e levantou e no fim teve mais apoio do que a segunda mocinha da Marjorie Estiano. Sempre gostei, por mais que não seja uma unanimidade. Mas aqui, mesmo sendo a ponta mais fragilizada, também deu seus berros, defendeu suas opções de vida, tentou (e também conseguiu) ser feliz. É até difícil entender quem sofreu mais, se a que perdeu 4 anos da vida em coma ou a que viu a sua sendo completamente desconstruída quando a outra saiu desse coma. No outro vértice, um cara bacana. Falho também, mas bacana. Frágil, como todos os personagens masculinos dessa novela, mas de uma sensibilidade emocionante que serviu inclusive de escada pra filha, um encanto!

No fim foi isso, um encanto. Aos personagens secundários cabem menos comentários, e talvez seja o ponto onde a autora precisa se aprimorar na hora de amarrar as histórias e explorar mais as possibilidades, mas em tempos de extremos no horário das 8 e torcidas enfurecidas de reality shows, nada como redescobrir o quanto a gente gosta de se ver retratado em novela e que, na tentativa de ser feliz, todo mundo comete uma porrada de erros e acertos.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Excepcionais, no melhor sentido da palavra


(Imagem extraída do filme "Colegas")

Hoje, 21 de Março, é celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Down. E é extremamente esperançoso ver a evolução da sociedade no tratamento a essas pessoas mais que especiais que se diferem por serem portadoras de uma deficiência mas que compensam qualquer dificuldade com lições diárias de amor, carinho, compreensão e superação.

Há quase 2 anos escrevi um post sobre um “Happy Hour” da Astrid Fontenelle, que teve como tema a inclusão de crianças com deficiência em escolas, onde o principal recado dado por mães e pedagogas que debatiam o tema era o de que inclusão começa dentro de casa. E os resultados que a boa-vontade em tratar as pessoas de forma igual só traz benefício. Hoje de manhã, no Bom Dia Brasil, uma reportagem mostrou a realização de duas meninas que chegaram à Universidade depois de muito esforço e apoio. Segundo a reportagem, educadores e pais de jovens com síndrome de Down acreditam que esse avanço deles na escola aconteceu principalmente graças à inclusão. Há pouco mais de dez anos, só 20% dos alunos com deficiência frequentavam turmas regulares. Hoje, 75% estão em escolas regulares.

Além disso, uma das iniciativas mais incríveis que eu já vi foi mostrada sábado no TV Xuxa. Podem falar o que for, mas poucas pessoas têm um tratamento tão humano, carinhoso e inclusivo com os portadores dessa deficiência quanto ela. Desde sempre. Com um programa inteiro dedicado à eles, um dos focos principais foi a divulgação de “Colegas”, primeiro filme brasileiro com o elenco principal formado somente por portadores da Síndrome de Down. Um roteiro incrível (3 amigos que fogem da Instituição onde vivem afim de realizar seus sonhos) e uma iniciativa corajosa, que refletem o tratamento que tanto o diretor do filme (que conviveu com um tio Down a vida inteira) quanto os pais desses jovens dão a esses atores. Vale a pena assistir tanto as entrevistas, quanto o trailer e o depoimento do diretor:



Quem quiser ver o programa inteiro, clique aqui e aqui também.

Com produção executiva de Otávio Mesquita, outro militante da causa que fez ainda uma reportagem sobre os bastidores da produção, o filme ainda não conseguiu ser lançado por falta de patrocínio para distribuição. O filme conta com um blog que conta toda a história e um canal no Facebook pra divulgar tudo o que está rolando.

E pra fechar, um dos atores principais do filme, Breno Viola, um judoca de 31 anos, lançou hoje em Brasília o portal Movimento Down, que tem como foco a inclusão social dos portadores da Síndrome e visa mostrar que incapacidade, definitivamente, não é mais um conceito que pode ser associado a essas pessoas. Capazes eles são, e muito. Principalmente de dar amor. Eu sempre acreditei que quem tem um filho excepcional em casa é porque recebeu um dom absurdo de especial de Deus. Cabe a quem não tem esse privilégio aprender a ser tolerante, porque respeito é a única coisa que eles querem. E, quem sabe assim, se deixar entender o que de fato tem valor na vida.

A vida é mais divertida quando a alma é feminina



No atraso que eu tô nesse blog (os textos que eu ainda tô devendo vêm, ainda que fora de hora, mais pra treino do que pra cumprir timing), só porque eu fiquei preso no escritório consegui ver “Louco Por Elas”, da nova leva de séries da Globo. E essa é deliciosa!

Eu sou fã do João Falcão desde sempre, na verdade. De “O Auto da Compadecida” (inquestionável) a “Clandestinos” (linguagem nova incrível em produção de TV que eu não sei por que não continuou), passando por “Fica Comigo Esta Noite” (que só eu vi), eu adoro tudo o que ele faz. “A Máquina” (também dele) está no meu Top 10 de filmes e tem uma das melhores frases de amor ever: “Você quer o mundo? Eu busco o mundo pra você” – dita num tom de ameaça passional numa história cheia de referências e num cenário bem regional. Por isso é bacana ver esse mesmo cara construindo uma comédia urbana despretensiosa e leve com só esse item em comum: a alma feminina.

Léo (Du Moscovis) é o típico macho desmistificado que já entendeu que não é provedor de nada sozinho e que, sem mulheres pra colocá-lo no prumo, ele é um bosta. Encantador, sim. Mas um bosta. E os defeitos que essa mudança no padrão das relações causa estão todos ali, numa facilidade de identificação que só faz quem está assistindo rir de canto de boca. O mesmo acontece com a personagem da Déborah Secco, que se coloca na posição “masculina” do (ex)casal, mas é frágil, dependente e quase histérica. E ainda tem a filha adolescente pra botar mais pilha naqueles que se vêm, pela primeira vez na vida, como espelhos tortos de alguém que tá buscando identidade.

Pra aliviar o que já seria uma comédia ótima, a melhor parte da série: o contraponto entre a velha hippie sequelada (a absurdamente incrível Glória Menezes) e a menina nerd, ultra-inteligente e sagaz que faz o papel da razão nessa casa que só não lembra mais a nossa porque a nossa Parati não é mais verde-limão. Eu ia chamar isso de inversão de papéis mas nem posso porque, particularmente, acho uma das maiores graças da minha família ter uma avó sarrista, de cabelo roxo, que canta sertanejo antigo e dança forró enquanto cozinha aos 90 anos (obviamente não tão caricata quanto essa) pra algumas pessoas que se levam a sério demais. E ser um pouco desconectado do mundo é uma opção de vida das melhores que estão tendo! Ah, destaque pra participação fofa (pra manter o comentário feminino) do Arlindo Lopes, par da Glória no teatro em “Ensina-me a Viver” onde ela fazia uma jovem de 80 e ele, um senhor de 19 - dirigidos pelo mesmo João Falcão.

A crise de idade de todo mundo no episódio de ontem (a inveja dos mais jovens e a constatação da própria idade dos mais velhos, com o personagem do Du racionalizando que precisa começar – COMEÇAR – a assumir os cabelos brancos) só faz de novo o que eu mais gosto na dramaturgia brasileira: fala de cotidiano e faz graça de si mesmo. Afinal de contas, com 10, 15, 40 ou 90, cada um tem que viver a idade que sente. No caso do protagonista, 22. No meu, 17. Mas com permissão pra beber.

Agora licença que eu vou ver o primeiro capítulo porque não tenho TV a cabo, mas já assinei a Globo.com! :)

R.I.P. BBB


(foto publicada pelo Cartas para Pi dizendo que, se o BBB acabou pra gente, Monique é campeã e Yuri é vice!)

Essa não foi nem de longe a primeira vez que eu disse que ia desistir de ver um BBB (alô, Dourado!), mas talvez seja a primeira que eu vá de fato cumprir. Monique saiu e o povo que ficou me dá tanto tédio que eu tenho medo de morrer em frente à televisão tendo uma vida inteira pela frente! E olha que eu já tenho aguentado Fina Estampa antes do programa, o que mostra muito o tamanho da minha preocupação.

Parágrafo destinado à função social da televisão: Mona foi eliminada por duas questões: 1) era Selva, e desde que Boninho e Bial forçaram descaradamente uma separação da casa entre bem e mal, foi constatada a incapacidade do público brasileiro de analisar as pessoas separadamente. Bom, não sejamos injustos: com a não rejeição a Yuri e Monique, descobrimos que o público é capaz sim (quase uma volta aos tempos de Dhomini) mas não são páreos para a turma das redes sociais que perdeu completamente a noção do que é importante, trocando “Máfias Douradas” por “Máfias Praieiras” como se disso dependesse a vida deles - ou a que eu espero ansiosamente que cresça logo e morra de vergonha de tudo o que registram na weird wide web; 2) pelo machismo de quem é incapaz de entender o que aconteceu com ela na primeira semana, ainda que ela tenha inocentado Daniel logo na saída. Mas as milhões de discussões na internet e o começo do discurso do Bial falando do falso moralismo do país do Carnaval já deram conta disso. E mudando brevemente de assunto, só que não, quem assistiu à entrevista da Palmirinha na Marília Gabriela logo na sequência no SBT e se chocou um pouco com a história de vida dela pode entender melhor aonde esse machismo podia levar num tempo não tão distante assim. Fim do parágrafo destinado à função social da televisão (porque se eu ainda for comentar a cena da Celeste permitindo que Baltazar voltasse pra casa na pior novela de todos os tempos, não chego a lugar nenhum, só pra variar).

Na verdade, Monique (e Laisa e Renata e Maria - Priscila, Milena, até mesmo Leka) representa uma leva de mulheres que não tem mais que pedir desculpas. E eu acho isso foda de bom. Me choca que isso ainda seja visto como transgressor, mas vá lá. Os tempos mudaram rápido demais talvez.

Sobre ser da Selva, quando falo do problema em analisar os participantes separadamente é porque, convenhamos, a Selva acabou no dia em que o Rafa pegou a Renata, ambos de caráter duvidoso. A tal “questão de honra” poderia ter caído por terra aí ao invés de terem eliminado gente de verdade que de fato movimentava a casa em detrimento a uma deslumbrada, falsa moralista e sequelada pelo excesso de laquê na franja, uma samambaia que agora acha que o batom da Monique combina com o tom de pele dela (gata, não combina com a de ninguém), um narcisista que mede cada palavra e soa mais artificial que a senhora do laquê e um hômi “simples, humilde e de bom coração” que carrega toda sua humildade no próprio discurso.

Sorte teve JC que saiu ontem antes que morresse de tédio junto com o Bial e Boninho, que estão tendo que criar factóides baseados numa hóspede espanhola (ela pode ganhar?) antes que o programa dê traço por falta de conteúdo.